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Jovens: quem são? e o que os constitui?

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Considerações acerca da abordagem sociológica da juventude contemporânea Objeto de culto da sociedade contemporânea, a juventude é, por vezes, classificada como uma fase de transição. é definida muito mais pelos problemas que enfrenta do que por sua singularidade e potencialidades. Afinal, o que é ser jovem? Estamos vivendo num tempo onde um debate sério sobre a juventude é socialmente pungente. O ano de 2013 situa-se como marco central no debate sobre a juventude, sobretudo, na Igreja Católica no Brasil. É o ano em que a Igreja vive a Campanha da Fraternidade com esse tema. Também, é neste ano que o novo Papa, Francisco, visita o Brasil no maior encontro católico de jovens do mundo: a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, inclusive como seu primeiro compromisso internacional no papado. Além disso, objeto de culto da sociedade contemporânea, a juventude é idealizada como padrão de beleza e “lugar” onde todos querem estar. Quem ainda não é, quer ser logo considerad...

Um museu, uma história: a história dos Direitos Humanos no Chile

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Manhã fria com uma brisa forte em Santiago. Amanheceu mais um dia... e nós aqui como bons turistas nos organizamos para mais uma expedição “exploratória” dos recursos turísticos que esta cidade nos oferece. Parecia mais um dia normal em nosso roteiro. Mas não! Hoje visitamos o Museu da Memória e dos Direitos Humanos. Uma visita surpreendente. Uma visita para ficar na eterna memória de seus visitantes. Aliás, é sobre memória que este museu aborda. Ao chegar, fiquei surpreendido com a estrutura arquitetônica do lugar. Um prédio imponente pelas suas formas e linhas de material pesado (cimento, cobre e vidro). Havia 3 imponentes bandeiras do Chile no Pátio. Pela suntuosidade do pátio uma expectativa foi sendo gestada em mim.  No início do meu percurso pelas instalações do Museu fiquei atento a uma guia no início de um passeio pedagógicos de um grupo de alunos da última séria do ensino fundamental da rede pública. Neste momento, esta guia fez uma introdução que ficou tocou profu...

O Egito a caminho da revolução: a juventude entra em cena

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As mobilizações populares na Tunísia, Egito, Iêmen e em outros lugares são um alerta para o chamado mundo desenvolvido e seria um grande avanço para a democracia se esta região que permanece imersa na violência, em fraudes eleitorais e miséria crescente da população recebesse o devido apoio internacional nesse momento. O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse que os EUA poderão revisar a ajuda ao Egito. O presidente Obama solicitou às autoridades egípcias que evitem o uso de qualquer tipo de violência contra manifestantes pacíficos, alertando que "aqueles que protestam nas ruas têm uma responsabilidade de expressar-se pacificamente. Já a chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou que a “estabilidade do país é muito importante, mas não a qualquer preço”. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu que "os líderes do Egito escutem as preocupações legítimas e os desejos de seus cidadãos”. O primeiro ministro britânico David Cameron declarou: “Eu acho que precisamos de refo...

Aborto e Excomunhão

Com Israel de Azevedo (FSP 13/03) expressamos nossa indignação a respeito do episódio da excomunhão. Na Carta, o missivista ilustra sua crítica com textos do grande Rui Barbosa. De fato, Rui teve seu momento de aspereza em relação à Igreja católica, principalmente na tradução, com ampla introdução, de O Papa e o Concílio, de Döllinger. No entanto, já na idade madura, ele retratou-se repetidas vezes de seu exagero, sendo paradigmático seu Discurso no Colégio Anchieta (1903), incisiva profissão de fé católica. Detalhe: entre os presentes, estava o seu filho João, aluno nessa instituição jesuítica. Não se julga uma Igreja por aspectos parciais, mas pelo conjunto da vida dos fiéis, sejam papas, bispos, padres, leigas e leigos; por sua capacidade de constante conversão. Toda crítica honesta só pode colaborar para tal conversão. Quanto mais serena a crítica, mais chance tem de ser ouvida. Com paciência histórica esperamos ver o Dr. Israel, tal como Rui, contemplar outros aspectos desta nossa...

Isto é o meu corpo

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Há duas maneiras diferentes de olharmos as culturas juvenis: através das socializações que as prescrevem ou das suas expressividades (performances) cotidianas. A distinção entre estas duas perspectivas pode ser aclarada tomando a “dualidade primordial” proposta por Deleuze ao contrapor “espaço estriado” a “espaço liso”. O espaço estriado é revelador da ordem, do controle. Seus trajetos aparecem confinados às características do espaço que os determinam. Em contraste, o espaço liso abre-se ao caos, ao nomadismo, ao devir, ao performativo. É um espaço dionisíaco: de novas sensibilidades e realidades. A idéia que ponho em discussão aqui é a seguinte: nos tradicionais estatutos de passagem da adolescência para a vida adulta os jovens adaptavam-se a formas prescritivas que tornavam rígidas as modalidades de passagem de uma a outra fase da vida. Diríamos, então, que essas transições ocorriam em espaço estriado. No entanto, entre muitos jovens, as transições encontram-se atualmente sujeitas à...

1968: o ano da juventude!

“Antes de 1968 não havia o jovem, e sim o moço. Mas essa mocidade era inteiramente subordinada à valorização do modelo adulto.” Michel Misse. Paris [maio de 68] A revolução estudantil de maio de 68 começou por um motivo banal. No mês de março, o reitor da universidade de Nanterre proibiu os rapazes de visitar as moças em seus dormitórios. Em protesto, um grupo de cem estudantes invadiu a secretaria da universidade. O reitor, assustado, suspendeu as aulas e chamou a polícia. Naquele protesto na secretaria da universidade nasceu a figura de um líder estudantil que inspirou uma geração inteira: Daniel “le Rouge” (o vermelho, em francês). Dias depois ele incentivou os estudantes da Sorbonne a seguirem o exemplo da Nanterre. Resultado: a polícia invadiu a universidade e as aulas foram suspensas. Os estudantes e o sindicato de ensino entraram em greve. Os estudantes tentaram retomar o prédio e resolveram enfrentar as tropas policiais. As ruas viraram um campo de batalha. De um lado, jovens a...

Participação Juvenil: novas formas para novos modelos

Além de receberem influências variadas, os jovens participam na dinâmica da sociedade através de estratégias diferentes, seja como atores sociais e políticos ou manifestando diversas formas de expressão e identidade. Porém, a maior parte das formas, que esse desejo de participação juvenil tem assumido ao longo da história, tem como característica a oscilação, alternando períodos de visibilidade pública com outros de forte retração e invisibilidade. Tudo parece estar intimamente relacionado com a transitoriedade da condição juvenil que leva, diferentemente dos trabalhadores ou das mulheres que se guiam, sobretudo, pelas dimensões materiais da existência, os jovens a se orientarem por interesses não necessariamente voltados a seu ciclo de vida. Essas reflexões facilitam abordar o polêmico tema sobre uma suposta “apatia juvenil”, principalmente em relação à participação política, em comparação com o maior interesse de gerações anteriores de jovens durante os anos sessenta e setenta. As e...